Sexta-feira, Maio 26, 2006
Júpiter Apple/Maçã merece um post paga-pau



Então galera, voltei. Como o previsto o que me assolava não me assola mais. As coisas velhas passaram, eis que tudo se fez novo rs. Neste período, assim como em todos, estive em busca de coisas novas e interessantes pra faze. É claro que as encontrei, pois quem procura acha rs. No momento estou a fim de dividir com vocês o meu achado na área musical. O texto pode parecer meio grande, mas acredito que a justificativa é plausível.

Imagine você com uma banda que pudesse expressar de forma harmoniosa seus sentimentos, frustrações e experiências. Muito legal, né? Melhor ainda se você fosse uma pessoa influente em sua banda tipo aquele vocalista que dá toques no baterista. E se você mesmo escrevesse as músicas que gosta e se esforçasse para fazer com que todos os demais membros reproduzissem a sua letra da forma mais aproximada possível de seus sentimentos? Isso realmente seria muito recompensante, mas mesmo que você se esforçasse ainda faltaria um pouquinho pra que você ficasse satisfeito (isso se você também fosse uma pessoa inquieta), pois dificilmente todos os membros poderiam externar os seus sentimentos instrumentalmente com a precisão desejada a não ser que você fizesse uma coisa: aprendesse a escrever bem, compor como ninguém e ser um multi-instrumentista.

Pois bem amiguinhos. Nestes dias em que estive afastado da esfera blogueira tive a oportunidade de conhecer parte do trabalho de uma figura que mora no outro lado do país. O nome dele é Flávio Basso, mas por volta de 1994 passou a ser conhecido como nada mais, nada menos que Júpiter Maçã. No principio tive um contato quase normal com seu CD intitulado A sétima efervescência (1996). Eu jamais poderia imaginar que Júpiter Maçã fosse o nome de uma única figura e não de uma banda. As letras deste álbum trouxeram a mim aquela agradável situação de se deparar com algo novo e interessante. Seus toques de rebeldia e alternatividade provocadas por doses nada econômicas de psicodelia. A complexidade musical e a variação de estilo eram bonitos de escutar e sentir, desde as faixas mais agressivas como Walter Victor e Lugar do Caralho até as mais experimentais e inteligentes como A marchinha psicótica do Doutor Soup. Os sons de suas músicas são positivamente sujos, mais ou menos como o Jazz de Paul Contraine gravados ao vivo, sem contar as ótimas interpretações e musicalidade como a música Síndrome de Pânico.

Essas duas últimas não fazem parte do mesmo trbalho, mas podemos considerar como uma continuação interrompida pela fase Bossa Jazz de Júpiter. Isso já foi suficiente pra que eu falasse "que legal, um cara doidão como ele fazendo um som tão bom. Este é o tipo de brother que tem total autonomia pra mandar qualquer pseudo-intelectual pra Marte". Mas o que eu ainda não sabia era que essa criatura alienígena havia mudado seu nome para Júpiter Apple e lançado, em 1999, um álbum todo em inglês intitulado Plastic Soda. Quando descobri pensei "puta merda! Esse cara tinha que se vender e estragar a magia da coisa! Por quê ele não continuou fazendo músicas em Português?".

O que eu não sabia era que este CD era meio que totalmente diferente do anterior. Não me cabe dizer qual deles é melhor porque seria como fazer um comparativo entre The Smiths e Joy Division, os dois são bons, só que em âmbitos diferentes. O Plastic Soda tem melodias que chegam a ser doce como nuvens de algodão doce, caso de Collectors Inside Colection e é um disco carregado de Jazz (Morning Intution Man), Bossa Nova de primeira (Welcome to the shade) e partes meio Samba (Samby - Groovy Theme) além de ótimas representações em efeitos musicais (A lad & a maid In the Bloom). Tudo isso com doses de psicodelia maiores que a do álbum anterior. E ele não economizou versatilidade. Olhem só o que eu tirei do encarte do CD.

Júpiter Apple Plays: hair dryer machine, hair cutting machine, all lead & backing vocals, electric & acoustic guitars, bass, drums, electric piano, organ bongos, violin, someone´s Keyboard calculator and soundin efects In all tracks, (...) .

Nervosooooooo!
Por outro lado A sétima efervecsência tem nas letras o seu ponto forte tendo em vista que Júpiter Apple escreve melhor em Português. Os dois são discos que podem causar estranhamento no início, mas depois do primeiro impacto você acaba admitindo palavras toscas como "Hey girl, what you´re gonna do, se não deixa de pau-duro o cara que cê ama" e outras doces e convidativas como "If you Want to go to space just get In the race Beside me (...) If I´m going out of control don´t leave me alone... Direct me".
Imagine que o cara em níveis nacionais e internacionais recebe premiação de melhor performance, melhor vocal, melhor músico, charme, volúpia, até que no fim ele sai do evento com dificuldades para carregar uma meia dúzia de prêmios.

Acho que queria ter um filho assim: um cara quase desconhecido ao mesmo tempo elogiado por figuras como Caetano Veloso, admirado pelas pessoas que felizmente tem a oportunidade de conhecer seu trabalho e não têm vergonha de dizer que Júpiter Apple é foda.

Tudo isso sem contar com o álbum também em inglês Hisscivilization (2002) e outro que tá rolando neste período em português... Será que eu vou tentar conseguir? rs
Publicado por Paulozab por volta de 11:31 AM

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Segunda-feira, Maio 22, 2006

Síndrome de Pânico
Júpiter Maçã


Não vai mais sair na rua
Síndrome de pânico
Não vai mais passear no parque
Síndrome de pânico

Não vais namorar ninguém
Não vais conversar com ninguém
Aonde está o remédio?
Aonde está a solução?

Ao libertar-se do alcoolismo
Síndrome de pânico
Síndrome de pânico

Não vais conversar com ninguém
Não vais namorar ninguém
Aonde está o remédio?
Aonde está a solução?

Não vais conversar com ninguém
Não vais namorar ninguém
Aonde está o remédio?
Aonde está a solução?

Síndrome de pânico
Síndrome de pânico
Síndrome de pânico
Síndrome de pânico
Síndrome de pânico
Publicado por Paulozab por volta de 3:20 PM

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Moro em Macapá (sabem onde fica?), estudante de História, 22 anos, cabelo padrão, não curte muito o turno da tarde

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Certa vez um amigo meu, no meio de uma discussão que envolvia visões de mundo, parou e disse que eu vivia no mundo da fantasia. Hoje eu fico pensando se é fantasia acreditar que as coisas podem melhorar. E dezenas de outras coisas que também são difíceis de realizar e que estão, de alguma forma, rejeitados em certos nichos sociais. Mas agora, quando alguém me falar novamente que eu vivo no mundo da fantasia eu, educadamente, falarei: - Não, meu querido, eu vivo no mundo dos sonhos.

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