Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
Queremos ir pra formatura da KK
Galera, é o seguinte... Eu (Paulozab-UNIFAP) e a Tati (PUC Minas) gostaríamos muito de estar na formatura de uma Hiper amiga nossa, a KK (UFAL) que será no mês de Maio de 2006, por isso estamos contando com o apoio de TODOS os amigos (falsos ou não) e inimigos para que possamos fazer estas pessoas felizes!
Pra quem não sabe a KK é uma figura aguerrida dentro da Federação do Movimento Estudantil de História e a formatura de figuras como ela é sempre grande momento, pois as amizades que formamos nas mais diversas partes do país se reúnem, não só os Encontros Nacionais, mas também em momentos como estes. Por isso, reforçamos a necessidade de vocês, AMADOS AMIGOS, contribuírem com esta justa e solidária causa! Particpem da comunidade do orkut clicando aqui e contribua.
Publicado por Paulozab por volta de 6:52 PM
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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
Que vida boa, seu mano!
A cidade onde eu sempre vivi fica, segundo alguns, no fim do mundo. Na minha opinião (e na opinião da maioria dos geógrafos) fica no centro do mundo, na linha do Equador. É chamada de ilha, mas não é (apesar de ser um pedaço de terra cercada de água por todos os lados).
Temos menos de meio milhão de habitantes (às vezes parece que somos menos).
No que é considerada a frente da cidade temos alguns lugares para lazer e é onde está o nosso principal monumento que é a famosíssima Fortaleza de São José cuja invejável arquitetura e imponência protegeu nossas terras (Terras do Cabo Norte) de invasões de estrangeiros. É bem verdade que seus canhões nunca deram um único tiro contra seus inimigos (os únicos tiros foram para comemorar o sete de Setembro), mas o simples fato dela existir com certeza fez muitos inimigos decidirem ficar fora de seu alvo e bem afastados daqui. Nessa época parecia que nossa cidade tinha muito mais importância na conjuntura estratégica do Brasil colônia. Hoje continuamos vivos, há quem diga que "a vida daqui é bem devagar" mas continuamos sobrevivendo e estamos crescendo, dizem até que é a capital que, proporcionalmente, mais cresce no país.
A juventude (nós) reclama das opções de diversão (principalmente da falta dela). Sempre damos como referência outras cidades onde há sempre um grande número de lugares legais (como se não fosse divertido procurar diversão). Às vezes sou meio parcial, defendo Macapá mesmo sabendo que não é uma situação em que eu ache que precise ou esteja certo fazer alguma defesa, em muitas vezes me dou bem, em outras fica por isso mesmo, mas geralmente estes críticos de nossa cidade são muito superficiais e com argumentos quase nada convincentes.
Temos gente de saco cheio de Marabaixo (música de origem afro), mas eu consigo ver beleza em sua simbologia porque na verdade o nosso etnocentrismo não nos deixa perceber que isso também é religião e se observarmos o que realmente nossas comunidade negras tocam veremos que era o Batuque que deveria ser o nosso símbolo. O que falta pro nosso povo é viajar nessas histórias. Cada um pode fazer isso do seu jeito, pra mim não há pessoas sem cultura, tudo é uma questão de acesso. Com você não seria diferente se fosse criado sem dinheiro, sem escola, sem leitura, sem Internet e sem nunca ter assistido o filme "O Contador de Histórias". Cultura é um conceito muito amplo, há mais de cem e alguns dizem que cultura é tudo aquilo produzido pelo homem... Imaginem! Sendo assim todo mundo tem cultura, todo mundo produz cultura, então todos devem ter seu espaço nos ambientes culturais (no sentido restrito da palavra) como no Brega, no Pagode, Samba, Rock, E - music, Bate lata, etc...
O legal de morar em uma cidade pequena é o fato de todo mundo se conhecer, sempre se conhece alguém que conhece algum nicho, sempre se conhece alguém que conhece alguém, mas o mais emocionante é quando você encontra uma pessoa super interessante que sempre morou aqui e você nunca teve nada que o ligasse a essa figura. Uma coisa é certa, aqui moram pessoas tão legais quanto em qualquer lugar. Há pessoas lindas, preconceituosas, inteligentes, malucas, alienadas e na verdade hoje em dia está tudo relacionado, tudo conectado, tudo perpassa pela lógica da globalização. O fato de não podermos chegar dirigindo nossos carros nem mesmo no nosso estado vizinho não significa que estamos isolados. Chamam isso de aldeia global, coisa da pós-modernidade, basta você adicionar a pessoa sem esquecer de deixar um scrap.
As tribos estão ficando cada vez mais definidas, ficará mais ainda quando os imperialistas resolverem mostrar a cara e passarem a ocupar o nosso território para se apropriar e vender a nossa água. Temos o maior volume de água dentro da maior bacia Hidrográfica do mundo. Não devemos esquecer de nossas preservadíssimas (e conservadíssimas) florestas. A água é o petróleo do futuro e a nossa floresta é um campo de potencialidades que nem nós conhecemos (pra alegria deles). Na verdade somos o que menos conhecemos de nossas riquezas naturais, há países que estudam a nossa região que, pasmem, é tratada como território multicontinental sem soberania sequer do "governo" de nosso país.
Logo as grandes plantações de soja começarão (provavelmente transgênicas com DNA especial contra a mosca da carambola) e haverão grandes latifúndios grilados e outras áreas improdutivas, o MST e o MTL chegarão também porque latifúndio, soja e cia sempre geraram mais exclusão nos estados onde se instalou. A grana que vai entrar infelizmente não ficará para a grande massa populacional que ocupará cada vez mais as nossas áreas de ressaca e, somando com a grande quantidade de prédios, nosso calor vai aumentar muitos graus. Haverá muito mais mendigos, carapirás e suicidas, mas em compensação a curtição aumentará, ninguém vai reclamar porque quem não ficar excluído vai ter centenas de points em nossa turística e prostituída cidade que já terá milhões de habitantes e muito mais bobos que são fãs e defensores da cultura Yank.
Teremos que pagar alguns dólares pra visitar o Museu Sacaca e tomar um doce de Cupuaçu patenteado por uma empresa de nome enrolado, as figuras que estarão expostas lá será a de nossos pais que não receberam um centavo pelo registro histórico, mas que estarão ajudando, sem saber, a encher o bolso do espertíssimo turismólogo com traços indígenas e com calça Jeans.
A estrada que liga o Amapá a Guiana francesa estará pronta e será uma via aberta não para que nossa produção suba, mas para que facilitem os trabalhos de nossos ilustres bio-piratas (que já não estarão apenas no parque do Tumucumaque), eles levarão nossa matéria prima e retornarão com um sintético ou uma novidade qualquer feita na Europa.
Um senhor de idade e com um vocabulário ultrapassadíssimo falará "égua do bicho caro!".
Os remédios que a Tia Coló do bairro do Laguinho faz também não terá um destino diferente, ele deixará de ser um simples fitoterápico e passará a ser um alopático com dezenas de efeitos colaterais mas ainda sim muito lucrativo para uma rede mundial de farmácias, assim como o nosso açaí que será febre na China (também com patente japonesa), e o fato de nós o tomarmos sem açúcar ou granolas, com farinha grossa, na hora do almoço e não ir malhar vai causar muito debate nas faculdades de nutrição e de Educação Física de todo o mundo. Também a ponte que liga Macapá a Belém estará pronta, mas não terá mais sentido atravessar pra lá, pois não será muito diferente daqui, aqui será até melhor porque teremos gringos aos montes circulando pela cidade afim de um bobo Tucujú com um inglês impecável para fazer sua diversão em troco de algumas cervejas e até um levar um figura que deixou de ir pro Havaí pra poder vir aqui e surfar na nossa glamorosa Pororoca. Seja aqui ou em Santana vamos ter os mesmo casos, aliás não será bem Santana e sim Zona metropolitana da Grande Macapá.
Nossa economia e nossa urbanização melhorarão bastante, talvez o Bairro Pantanal, que é quase desconhecido hoje, já seja um condomínio fechado e nós não veremos mais meninos brincando de peteca com caroço de tucumã ou brincando de voleibol com uma rede que servia pra estender roupa, só haverá carros passando pra lá e pra cá com meninos gordinhos loucos pra chegar em casa e ligar o seu playstation 5, mas sempre haverá bairros periféricos e eles crescerão em Progressão Geométrica (quem sabe um deles se chame Paulozab).
Os moradores dos lugares isolados da cidade ficarão cada vez mais isolados. Não poderão pagar faculdades, pois não haverá mais universidade pública e o Prouni (Programa Universidade para Todos) não estará mais funcionando, pois a lógica Neo Liberal reduz o Estado (e seus recursos) a migalhas.
O problema da superpopulação será amenizado quando houver mais uma guerra Norte Americana e o Fabinho (filho do seu Zé) for recrutado por um salário de fome. Fabinho, assim como milhares de jovens de nossa cidade, não recusará a oferta porque não haverá outra opção pra um filho de pedreiro. E se a guerra for aqui não haverá bombas porque eles não iriam querer que nossa carne apodrecida infectasse lençóis freáticos e acabasse com o petróleo do futuro (que, é claro, não será mais do futuro e sim do presente). Eles entrariam aqui com seus tanques hiper blindados feitos com o nosso manganês que havia ficado até aquela data em algum lugar do subsolo da Califórnia para, ironicamente (se não fosse trágico), ser usado contra nós mesmos, mas não daria certo porque ficariam atolados nos mangues de nossa região, então evocaríamos o espírito de nossos antepassados, que tiveram experiência muito parecidas com esso em tempos anteriores, mas desta vez agiríamos em unidade sem ser coopitados pelo outro lado, todos nós nos tornaríamos Waiãpis, Karipunas, Galibis, Palikurs e todas as etnias de tronco Aruak e Tupi Guarani, teriam que nos enfrentar testa a coká, seria um novo Vietnã. Quando nossas balas acabarem faremos flechas empestadas de veneno de cobra e secreção cutânea de sapo. Então choraremos quando lembrarmos de nossa pacata e careta cidade de 2005 com flash das guerras do Iraque e da Palestina. Lembraremos de como tudo aquilo parecia tão irreal vista pela TV. Infelizmente não teremos pena dos soldados inimigos que estarão com alguma lavagem cerebral colocada por algum Presidente Republicano ou Democrata.
Neste contexto histórico o número de loucos que hoje gritam no campo e na cidade vai se multiplicar. Apesar de todo o aparato repressivo do Estado (pois essa será sua única função... manter o sistema) haverá mais pessoas famintas nas ruas engrossando os gritos de "não vou me adaptar" enquanto a burguesia (e os filhos dela) não viverá em paz pois "a maioria da população não dormirá porque estará com fome enquanto a outra parte não dormirá com medo dos que passam fome".
Publicado por Paulozab por volta de 3:06 PM
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Quinta-feira, Janeiro 19, 2006
Frankenstein
A história do Dr. Victor Frankenstein, escrita em 1818, oscila entre o Terror e o Romance, se bem que, ao meu ver, esta clássica obra se encaixe melhor na segunda categoria. Conhecida no mundo todo, esta obra de Mary Shelley acabou conquistando e extrapolando as barreiras da imaginação humana, tendo em vista que o tal monstro gigante e remendado sempre aparece em diversas situações adaptadas em filmes de terror, quadrinhos, desenhos animados e muitos outros artigos de propaganda e livros. Mas, fazendo a leitura da obra que dera inicio a todo este mundo, me chamou à atenção a personalidade diferenciada que o mesmo apresenta. Observe este trecho:
"Uma noite, (...), encontrei no chão uma pequena mala de couro que continha várias peças de roupas e alguns livros, (...). Eram exemplares ´Paraíso Perdido`, um volume de ´Vidas Paralelas´, de Plutarco, e ´Os sofrimentos do jovem Werther´, (...). Agora eu estudava continuamente e exercitava meu cérebro com essas histórias, (...)"
Isso mesmo amiguinhos, o grandalhão sabia ler e o aprendera em menos de um ano autodidáticamente e, assim, exercitava seu cérebro! Tá vendo só? E olhem só a análise que ele fez do livro "Os sofrimentos do jovem Werther":
"(...). Os costumes que a obra descreve, combinados com a gama de sentimentos e impressões transcendental, harmonizavam com a minha experiência em relação a meus protetores e com meus próprios anseios. Mas eu julgava o próprio Werther um ser que beirava o divino; seu caráter despretensioso primava, todavia, por transmitir uma profunda depressão. As elocubações em torno da morte e do suicídio fluíam de modo a encher-me de pasmo. (...)".
Pagaram pra o vocabulário do brother? Gostaram da análise? Huauha
Eu, sinceramente, tive vontade de rir em certas partes, pois a imagem que chega até nós de tal criatura é a de um poste que anda e balbucia algumas palavras, mas não é isso que, de fato, o Frank (intimidade rs) é em sua origem, ao contrário, ele é muito sarcástico, bonzinho e vingativo.
Mas não deixem de lê-la. Eu só estou tirando barato porque eu viajei nestes pensamentos e na imagem estereotipada da criatura durante a leitura. Esta obra é um puta clássico e o final é digno de aplausos. Recomendo!
Publicado por Paulozab por volta de 12:03 PM
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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
Admirável mundo novo (Brave New World)
Este livro de Aldous Huxley expressa algumas angústias do autor e da intelectualidade no período entre guerras. Publicada em 1931 ele trata de uma sociedade futura em um futuro distante (ou mais próximo do que imaginamos). As modificações conceituais intrínsecas a nossa sociedade como sexualidade, religião e parentesco são tratadas de forma muito diferente a que estamos habituados. A própria divisão social que é feita a través do sistema de castas que se dividem em Alfas (superiores), Betas, Gamas e ìpsolones, que são concebidas através da manipulação genética. Após o nascimento cada casta recebe tratamento específico no psicológico também, tudo isso manipulado pelo Estado que tem o controle sobre detalhes da vida social humana.
O Estado, para suprir a necessidade natural do homem de Deus e do álcool criou o que eles chamam de "soma", que nada mais é que um tipo aperfeiçoado de Ácido Lisérgico. Escolhi aqui um trecho do livro, que trata do diálogo entre um médico, Eduard (um dos protagonistas da trama), John (o selvagem que fora levado para a civilização) a respeito de Linda que estava fazendo uso exagerado do LSD do futuro:
"- Isso acabará com ela em um mês ou dois, confiou o médico a Bernard. Um dia o centro respiratório dela se paralisará. (...)
(...)
- Mas vocês não vão acabar com a vida dela dando-lhe tanta quantidade [de soma]? [Disse-lhes John].
- Em Certo sentido sim admitiu o Dr. Shaw. Mas sob outro aspecto, até a estamos prolongando. (...). O soma pode fazer-lhe perder alguns anos de tempo, (...). Mas pense nas durações, enormes, imensas que lhe pode dar fora do tempo. Cada soma-relaxação é uma porção do que nossos antepassados costumavam chamar de eternidade.
(...)
John foi forçado a ceder afinal. Linda teve seu soma. Desde então ela permaneceu em seu quartinho no trigésimo sétimo andar do edifício de apartamentos de Bernard, na cama, com o rádio e a televisão sempre ligados, a torneira de patchuli gotejando, e os comprimidos de soma sempre ao alcance da mão - ali ficou; no entanto não estava de modo algum ali; o tempo todo estava infinitamente distante, em sonho; sonhando com outro mundo, onde a música do rádio era um labirinto de cores sonoras, deslizante e vibrátil, que levava (por que voltas maravilhosas e inevitáveis) a um centro brilhante de certezas absolutas; onde as imagens que dançavam na televisão eram personagens de um filme sensível musical indescritivelmente delicioso; onde o patchuli que escorria era mais que um perfume - era o sol, um milhão de saxofones, Popé fazendo amor, apenas tudo isso com intensidade incomparavelmente maior e infinita".
Publicado por Paulozab por volta de 5:59 PM
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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
Eu não vivo no mundo da fantasia.
Certa vez um amigo meu, no meio de uma discussão que envolvia visões de mundo, parou e disse que eu vivia no mundo da fantasia.
Hoje eu fico pensando se é fantasia acreditar que as coisas podem melhorar.
Que o capitalismo não é um sistema perfeito e que ele um dia acabará.
Que as pessoas tem o direito à segunda, terceira e milésima chance.
Que o homem é um ser coletivo e por isso não pode pensar apenas em si mesmo.
Que nada justifica o uso da força em prol da violência.
Que existe comida para todo o mundo.
Que dinheiro em si não trás felicidade.
Que a saída é a organização dos trabalhadores.
E dezenas de outras coisas que também são difíceis de realizar e que estão, de alguma forma, rejeitados em certos nichos sociais. São considerados assuntos chatos e ultrapassados, afinal de contas não é divertido falar do sofrimento que os outros passam se isso não afeta você diretamente.
Mas agora, quando me falarem novamente que eu vivo no mundo da fantasia eu, educadamente, falarei:
- Não, meu querido, eu vivo no mundo dos sonhos.
Publicado por Paulozab por volta de 5:30 PM
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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
BARELYAZRYHTLEGAL
E aí? Ta gostando? Pelo visto sim! Eu também estou! Aquela nossa conversa no Teletubies foi super legal! E a anterior lá no Galpão? Nossa velho! O que foi aquilo, hein? Viagem total! Falamos coisas que deveriam ser escritas, não acha? Gostou da minha teoria sobre cigarros e fumantes? E da outra sobre leitura de mãos? Vou dividir a patente com você, pois eu não teria pensando naquelas coisas se você não tivesse me inspirado. As pessoas me inspiram de forma diferente e gosto da forma como você me inspira. Ainda bem que não te assustei com o meu papo, porque agora, sempre que tiver uma nova teoria, eu vou te falar, mas no fim do mês estarás indo embora e o contato pela internet não é a mesma coisa. Será que não deveríamos ter mais cuiddo? Ah, não deveríamos não! Já disse que não tenho medo de gostar.
Agora, neste domingo, fiquei o tempo todo dormindo e escutando musica. Ababei pensando bastantet em ti e nas coisas que vou fazer de agora em diante. Amanhã minhas férias começam e minhas férias prolongadas acabam. Mais uma vez terei que mudar de rotina. Ano passado estava com uma liga de andar com algumas várias meninas, mas isso está perdendo a graça. Agora to afim de alguém pra ficar pegando no meu pé, que ligue pra mim (quando eu comprar um celular rs) pra saber onde estou e marcar alguma coisa, que durma comigo quando estiver me sentindo sozinho, que me mande ir pra casa quando eu tiver algo importante pra fazer no outro dia, que decida as coisas por mim quando estiver divagando demais e, acima de tudo, quero poder fazer isso por alguém.
Você, em pouquíssimo tempo, ouviu coisas que pouquíssimas pessoas escutaram de mim e outras que nem eu mesmo havia escutado. É como eu disse: tudo porque a energia quântica existente no universo caiu na minha cabeça naquela hora.. mas por que isso aconteceu quando estávamos conversando? Será que o universo está conspirando em nosso favor?
Quero me desculpar, mas eu realmente acho que The Strokes está mudando negativamente, não que "Room On Fire" não seja um ótimo álbum (todo mundo gosta de Reptilia rs), mas "Is this It" é tão bom que acabou se tornando insuperável. Talvez o erro deles tenha sido o de esgotar seu fôlego logo na entrada.
Ah, minha querida, só te peço que não permita, em momento algum, que eu te magoe. Não suportaria a idéia de saber que feri uma pessoa como você, mas não se preocupe tanto com as minhas palavras e comigo, ao menos por enquanto. So quero que este mês de Janeiro te cause saudades quando ele terminar e eu ficaria muito feliz se boa parte desta saudade fosse provocada por mim.
"Take me away, see, I've got to explain. Things they have changed In such a permanent way. Life seems unreal, can we go back to your place?... I know this Is so rare, but I'll try my luck with you, this life Is on my side. Well, I am your one? Believe me, this Is a chance... Kiss me now that I'm older, I won't try to control you, Friday nigths have been lonely, Take it slow but don't warn me... Come on and listen to what I say, I got some secrets that'll make you stay"
Publicado por Paulozab por volta de 5:07 PM
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Sábado, Janeiro 07, 2006
Episódio engraçado
Vocês sabem como funciona o esquema de comunidades no orkut, não? Pois então... Uma das primeiras comunidades que criei foi uma chamada "Odeio a Banda Calcinha Preta", esta comunidade conta hoje com quase 500 membros, hoje um cara me mandou a seguinte mensagem.
"doido vc é gay viado da muito cu, vc nao tem oq fazer nao é? Falar mal da banda Calcinha Preta!!!
VC È DOIDO È?"
Pode isso? hauhauha
Publicado por Paulozab por volta de 6:36 PM
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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006
De um palhaço para o presidente
Finalmente, deixo de ser palhaço ruim para não me parecer com um presidente. É bem melhor ser palhaço de verdade
HUGO POSSOLO*
As elites orquestraram para que eu me tornasse palhaço. O complô da mídia me vestiu roupas largas e sapatões e pintou minha cara. Impuseram-me o papel de idiota. Eu, que não sabia de nada, me senti traído. Apenas fui levado por companheiros de 30 anos de luta que, agora percebo, queriam que eu fosse absolutamente ridículo.
É verdade que, no começo, assumi e dei uma festa no apê. Distribuí metáforas com cara de aforismos e desaforos para quem quisesse ouvir. Afinal, o palhaço pode tudo. Inclusive rir das piadas recicladas que fazem a meu respeito. Sobre o dedo que me falta, o conhecimento que me falta e até sobre a honestidade, que também me falta.
Tudo bem, até que um cantor de ópera bufa fez sua cena de ópera de sabão. Delatou, debaixo de nossa honrada lona tombada pra baixo, que alguns deputados recebiam uma mesadinha extra. Apoiei-me na velha máxima de que ser palhaço é fácil, mas que o difícil é levar isso tudo a sério.
O canastrão de olho roxo logo passou a ser o pop star da nação. Bandido sempre deu mais ibope na televisão. E todo mundo grudou a vida na TV Senado. Encenação com ares de megashow. Fiquei enciumado.
Revidei com o publiciotário. Só que a propaganda premiada do gênio da lâmpada teve a esperteza de divulgar que o dinheiro bom é aquele não-contabilizado que está bem contabilizado nas contas do exterior. E depois, o palhaço sou eu!
Fiquei vesgo, em pânico, com a cara da Sol. Chorei a minha vontade de morar em Miami, onde os americanos falam português. Não deu certo. Afinal, eu também não falo português. Tornei-me um palhaço preconceituoso só porque não vi o beijo gay.
De repente, baixou o clero esclerosado e o presidente da câmara de pneus furados não pagou a conta do restaurante. Veio o dono, passou a fatura e mandou a vida severina pro futuro distante da eleição. Nada de renunciar aos votos do povão. Porque, cá entre nós, coronel burro nasce bóia-fria.
Pisei em ovos. Aí, meus deputados pegaram a gripe do frango e caíram na farra com as galinhas. Mas a cafetina garantiu que eram apenas recepcionistas. Eu preferia que meus deputados estivessem com a febre aftosa. Assim, eu exterminaria o rebanho todo.
Entrei pelo cano de um valerioduto. Caí no buraco negro das pesquisas em que até vampiro ganha de palhaço. Desanimado, comprei uma cueca nova na Daslu. Enchi a danada de dólares e fui gastar na Daspu. Minha bengala típica de palhaço foi enfiada na cabeça de meu pupilo, que agora diz que não sabe se vai votar em mim.
Aproveitei para ver um filme de piratas, que eu adoro saques. Só que me trouxeram os dois filhos do rio São Francisco. E eu boiei. Um padre fez greve de fome e não me deram mais DVD para eu ver, nem nos entreatos.
Citei o futebol, mas a ficção se tornou realidade. Juiz ladrão não é só o que rouba na construção de tribunais.
Ainda tenso, rebolei para francês ver. E quem faturou foi a gravadora do meu artista ministro, curiosamente o grande destaque da festa.
E já era Natal. Enquanto o rei cantava que quer ter um milhão de amigos, meu vice leva um milhão em camisetas. Recebe em grana viva, coisa muito comum para quem não quer saber de onde veio o dinheiro.
Profetizei o velho chavão, de um chavista que sequer trabalha no SBT e não quer saber de políticas globais. Usei a frase de defeito:
- Nunca neste país teve tanta palhaçada mal feita!
Até esta Folha esculhambou-se, neste espaço, onde escrevem ilustres figuras da República, permitindo que um palhaço qualquer fizesse seu deboche.
A coisa estava ficando séria. Então, senti meu nível cair demais. Não comando nem o carrinho de pipoca da Disney. Sou um personagem terminal com um imenso ano pela frente.
Decido, então, fazer a mudança que prometi. Finalmente, deixo de ser palhaço ruim para não me parecer com um presidente.
É bem melhor ser palhaço de verdade.
Já sei! Vou quebrar meu sigilo bancário. Assim, todo mundo saberá que, além do nariz, eu também tenho a conta no vermelho. O vermelho que desbotou da estrela é bom para quem quer ter vergonha na cara.
Sabe, senhor presidente, é tão bom reconhecer-se ridículo, sem a dignidade aparente. É bom ser livre, ainda que no pensamento. É bom dormir com a consciência tranqüila.
Não sei como é para o senhor. Às vezes, repasso um pesadelo que não é só meu. Como escreveu Eric Bogosian, na adaptação de Aimar Labaki: "De uma nuvem esfumaçada, vestida numa roupa sadomasoquista, surgirá Regina Duarte me cravando por trás. Arrepiado, sinto sua mão suave subir até a minha nuca, enquanto ela sussurra quente ao pé do meu ouvido:
- Perdeu o medo? Agora perde a esperança!"
Hugo Possolo, 43, dramaturgo, ator e diretor de teatro, é palhaço do grupo Parlapatões. Foi coordenador de Circo da Funarte (Fundação Nacional de Arte), Ministério da Cultura, de maio de 2004 a maio de 2005.
Publicado por Paulozab por volta de 9:42 PM
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Terça-feira, Janeiro 03, 2006
Na virada do ano
Fiquei sabendo que a senhora, na virada do ano, ficou gritando o meu nome na cozinha de sua casa perguntando a Deus o que eu estava fazendo naquele momento. Saiba dona Glêdes que, apesar de eu também lhe chamar de mãe e de eu ser, de fato, seu filho biológico, a minha primeira mãe, que me criou, já faleceu. Não sei até que ponto isso acabou influenciando na minha formação enquanto individuo, mas uma coisa é certa; o ser humano precisa de objetivos, por mais amplos que eles possam ser e por isso sinto que boa parte do meu futuro foram enterrados com ela.
Mas o fato de saber que a senhora estava gritando o meu nome na virada do ano me despertou vários pensamentos e até reviveu uma parte que estava adormecida dentro de mim. Confesso também que o inicio do mês de dezembro em que passei na sua casa me fizeram sentir em um lar novamente. O simples fato de ter a comida pronta todos os dias e ter que beber escondido me deixaram muito feliz.
Olha, dona Glêdes, sei que andei fazendo coisas que deixaram a senhora meio tristes. Existem coisas que a senhora ainda não sabe e a nossa falta de intimidade e de diálogo ainda não lhe permitiu chamar a minha atenção e nem que eu contasse tudo pra senhora. Mas acredito que nem será preciso, pois o fato de saber que a senhora estava gritando o meu nome na cozinha da sua casa na virada do ano foi determinante para que eu, de uma vez por todas, retomasse a vontade de seguir em frente.
Quero que a senhora, de agora em diante, me pergunte tudo o que tem vontade de saber para que eu não mais seja visto como uma figura misteriosa dentro da família. Estou passando, novamente, pela fase de procurar outras coisas pra fazer, pois é isso o que faço quando a rotina se transforma em mesmice e acredito que sempre será assim até que me sinta confortável em algum lugar. Por enquanto a palavra de ordem ainda é "um dia de cada vez nos quintais do mundo", dedicando, não importa o que faça, a devida atenção e responsabilidade.
O que posso dizer é que neste tempo em que estive, digamos, distante do mundo eu acabei construindo novas amizades e, acredite, nenhuma inimizade. Não fiz mal a ninguém, nem a mim mesmo. Considero tudo como parte necessária de algo maior. Não recriminei ninguém e nem fui excluído de nenhum grupo social, ao contrário, fui bem aceito em todos.
Espero agora, dona Glêdes, lhe oferecer mais orgulho do que um dia eu lhe dei, pois o fato de saber que a senhora estava gritando o meu nome na virada do ano novo na cozinha da sua casa despertou em mim uma imensa vontade de lhe mostrar que ficarei bem, que agora vou cuidar de mim e que a senhora conseguiu o direito de ser chamada de mamãe.
Publicado por Paulozab por volta de 1:56 PM
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