Terça-feira, Novembro 29, 2005
Um ser louco.
Dizem que um louco não sabe que é louco, e que quando você começa a se perguntar se está louco é sinal que você não está porque louco é sinônimo de "sem noção", mas existem muitas ponderações que devem ser relevadas.
Um louco pode ser considerado uma pessoa anti-social, mas existem pessoas anti-sociais que não são loucas. Um louco pode ser uma pessoa que pensa diferente da maioria da sociedade, mas nem todos que pensam diferente da maioria da sociedade são loucos. Um louco pode ser uma pessoa que faz algo o que geralmente não se faria, mas nem todos que fazem coisas que a maioria não faria são loucos. O que fazer pra se identificar um louco? Ou melhor, o que é ser louco?
Ora, os personagens das grandes navegações atravessaram o mar enfrentando todas as lendas de monstros e demônios vigentes na idade média, se lançaram ao mar por objetivos econômicos sim, mas uma pessoa em "sã consciência" não se arriscaria em cair em um buraco no fim do mundo quadrado ou até de ser escaldado pelas ferventes águas do equador que suspeitavam terem serpentes marinhas. Este é um bom exemplo de "loucura no bom sentido", isso sem discutir os méritos e conseqüências trazidas (ou levadas) pelas grandes navegações.
Um louco é inquieto, não se conforma com pouca coisa, não desiste, ao contrário, insiste até chegar a conclusão de que, por exemplo, E=m.c2. Este tipo de louco se torna anti-social quando é incompreendido, pois nem sempre sabe entender o outro lado que não o compreende e nem sempre se relaciona com pessoas que se importe em compreendê-lo. Por isso, sem querer, acabamos reprimindo os loucos não porque queremos. As vezes nem sabemos que estamos lidando com um. A pior coisa é reprimir um louco sem saber que isso não passa de uma tentativa de trazê-lo para o sistema de convenções repressivas que ele, de alguma forma, está se desprendendo. Mas deve-se ter a sensibilidade de saber que existem alguns doidos insanos conformados que não querem ser loucos, o que ultrapassa este limite pode ser também chamado de alguém que perdeu a noção ou alguém que está acima de nossas loucas reflexões.
Publicado por Paulozab por volta de 1:37 PM
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Segunda-feira, Novembro 28, 2005
Estima pós-moderna
Alta auto-estima...
Auto-estima alta.
Baixa auto-estima...
Auto-estima baixa.
Alta baixo-estima...
Baixo-estima alta.
Baixa baixo-estima...
Baixo-estima baixa.
Publicado por Paulozab por volta de 1:08 PM
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Sexta-feira, Novembro 25, 2005
Quarta feira à tarde eu chorei...
... Mas não foi um choro de quem estava deprimido ou daqueles que se solta quando queremos que as pessoas nos olhem e perguntem o que aconteceu.
Quarta feira à tarde eu chorei porque me achei no direito de o fazer. Quem foi que disse que meninos não choram? Deve ter sido alguém muito poderoso porque este é um sentimento que dura até hoje no nosso imaginário, alguém pode explicar por quê?
Quarta feira à tarde eu chorei por vários motivos, mas existem alguns que eu não saberia explicar direito. O que importa é que quarta feira passada eu tranquei a porta do quarto da casa da minha irmã/mãe, coloquei minha cabeça no travesseiro e chorei bastante. Era um choro de despedida. Um choro sozinho e meio calado para que ninguém lá fora escutasse. Um choro de boas vindas. Um choro de tristeza e de felicidade como nunca havia feito.
Quarta feira à tarde eu chorei. Havia prometido, sem eu perceber, que nunca mais demonstraria tamanha fraqueza, mas quem disse que chorar é um ato de fraqueza? Será que isso me torna menos homem do que os outros? Tenho certeza que não. Mas se o fosse não me importaria, pois que merda de homem eu seria se nunca mais eu derramasse uma lágrima ou se eu não me arrependesse de algo que fiz ou não chorasse por nada ou por mais ninguém?
Quarta feira à tarde eu chorei e chorarei novamente todas as vezes que eu sentir vontade porque é muito bom sentir a dor que preenche a sua cabeça se esvaindo e o aperto do seu peito começando a não mais existir.
Quarta feira à tarde eu chorei, mas não exatamente como uma criança que fica longe da sua mãe e sim como uma mãe ou um pai com saudade de seu filho ou como quem imagina como vai ser a sua vida depois que ele for embora.
Quarta feira à tarde eu chorei porque continuo sem resposta para muitas coisas e porque ainda não consigo explicar o que se passa na minha cabeça. Por isso este também foi um choro de impotência.
Quarta feira à tarde eu chorei porque tive mais certeza que sou uma pessoa feliz cercado por pessoas do bem que, ao menos, procuram me compreender e que são, assim como eu, sujeitas ao erro, a dor e a incompreensão. E que eu não sou como aqueles que sentem vergonha de demonstrar tal atitude, não porque seja algo particular, mas simplesmente porque tem uma vergonha injustificável, apenas imposta, como diria Foucalt, por poderes invisíveis ou micropoderes.
Quarta feira à tarde eu chorei porque me peguei, antes de todas estas explicações, chorando sem saber por quê. E por discordar de Cartola, que escondia o pranto de seu coração enquanto as pessoas pensavam que ele era alegre ao vê-lo sorrindo.
Quarta feira à tarde eu chorei porque senti algo que nunca mais havia sentido: um ser superior que eu conheci, mas acabei esquecendo que ele chora mais que todo mundo.
Publicado por Paulozab por volta de 12:57 PM
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Terça-feira, Novembro 22, 2005
Seqüelado, tosquinho e sem melodia.
No underground um dia entrei
Fiz histórias que a intera não dei
Agora to vendo qual é, acho que já cansei
Estou sem um corre pra fazer
O tédio se mata achando algo pra ler
Nestas horas é que procuro alguma liga torta pra escrever
Já fui ateu trotkista e cristão
Este ano escolhi pra pirar
Vivendo entre êxtases e depressão
Mas daqui há pouco tudo vai acabar
Porque se nas ondas a gente não se ligar
Em um cruzeta surtado vamos nos tornar
Se for pra curtir e ficar sem comer
Prefiro mil vezes a oasca beber
Troquei o sol pelo luar
E quando sequelado em casa chego
Tiro a roupa e vou deitar
No outro dia quando acordo
Viagens sobre a vida procuro logo achar
Acho que é por isso que sou fudido
Mas nunca pensei em me matar
Agora sem miguéli no meu ouvido
O esquema de ninguém vou embassar
Sempre inicio com um rolé na praça
Que os caretas chamam de Beira Rio
Num banquinho onde senta a bagaça
E todos os esquemas que a city não viu
Sentirei saudades da galera massa
Lembrarei de tudo o que a gente curtiu
Mas não chorem, isso logo passa
Porque êx maluco ninguém nunca viu
E se você gostou da letra com ela de boa pode ficar
Não quero embaçar com algo
Que nenhuma onda posso tirar
Prefiro ficar na platéia sacando, um som pré escutar
Vou ficar assim sossegado
Nenhum tarja preta quero mais tomar
Publicado por Paulozab por volta de 1:27 PM
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Domingo, Novembro 20, 2005
Aziul: meu primeiro soneto.
Sempre tentei fazer isso para ela,
Pra mim foi muito complicado ousar desta forma.
Nos dias que penso no meu quarto sujo e sem vela...
O desejo de dedicar-lhe algo sempre retorna.
Nunca exigimos nada para se gostar,
Aconteceu naturalmente. No estilo básico e bonito.
Percebo que pra muitas pessoas tenho escrito,
Mas não para aquela cuja história é na beira do rio, e não na do mar.
O que me faz ir para fora do imaginário...
É a vontade de não se contentar com as coisas ao contrário...
E gostar de desafios, nem que eles durem um centenário.
Deste modo sinto que quebrei mais uma barreira, uma divisa
Que se sabe que uma hora vai cair, mas não se avisa.
Este é um dia feliz porque escrevi para meu amor, minha filha, minha querida Luíza!
Publicado por Paulozab por volta de 12:17 PM
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Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Discurso Cultural do Fetichismo
O fetichismo evoca imagens do sexo "bizarro", envolvendo uma atração anormal por itens de vestuários como sapatos de salto altos e espartilhos bem apertados, ou partes do corpo como pés e cabelos. Apesar de obviamente sensacional, parecia ser de importância marginal - exceto, é claro, para fetichistas individuais. Mas o estereotipo do fetichismo como desvio sexual "pitoresco" é simplista demais. Couro, emborrachado aderente, "sapatos cruéis", tatuagens e "body-piercing" - toda a parafernália do fetichismo tem sido incorporada a corrente principal da moda. O interesse popular por estilos subculturais não é novo, mas tem havido recentemente uma mudança qualitativa no acolhimento da sexualidade pela moda. Hoje a "perversidade" sexual vende de tudo, de filmes a estilos a chocolates e patas de couro. Em resposta a dominadora Hilda Hilst (que Deus me perdoe) eu diria que qualquer pessoa que vista roupas, ouça musica, vá ao cinema ou navegue na Internet pode querer saber mais sobre o fetichismo.
O conceito de fetichismo tem assumido recentemente uma importância crescente no pensamento critico sobre a construção cultural da sexualidade. A palavra fetiche tem um duplo significado, denotando um encanto mágico e também "uma fabricação, um artefato, um trabalho de aparências e sinais". O discurso original sobre o fetichismo era religioso e antropológico. Tratados de missionários como Fetichismo e adoradores do fetiche denunciaram as religiões "bárbaras" de pessoas que adoravam "ídolos de madeira e barro". No inicio do século XIX o termo fetiche tinha se estendido para se referir a qualquer coisa que fosse irracionalmente adorada. Então uma segunda interpretação, marxista, evoluiu. Karl Marx cunhou a frase "fetichismo de produto", analisando o conceito em termos de falsa consciência e alienação que encontra gratificações espúrias no consumo. Como lhes falta consciência de classe, escreveu Marx, os trabalhadores que produzem objetos com estes atributos outorgam um valor "secreto", o que dá a cada item de consumo a qualidade de um "hieróglifo social" que precisa ser decodificado.
O conceito de fetiche erótico foi então adotado por outros que estudavam desvios sexuais, como Richard Von Kraff-Ebing, que estava ele mesmo cunhando termos como o sadismo (nomeado a partir de Marquês de Sades) e masoquismo (a partir de Leopold Von slacher-Masoch, autor do clássico romance fetichista "A Vênus no casaco de pele").
Com a aquisição, pela palavra fetichismo, de um repertório cada vez maior de significados, os discursos isolados começaram a se cruzar. Fetichismo não fala somente "sobre" sexualidade; refere-se também demasiadamente sobre poder e percepção. A especialista em cinema Linda Williams observa que nos filmes pornográficos a "cena do gozo" (ou cena do dinheiro) é fetichizada. "O argumento anti-pornô extremo faz da pornografia um fetiche, satanizando-a como a causa primordial de toda violência masculina e de toda sujeição feminina", escreve Anne McClintock da Universidade de Columbia. "Fetichizar a pornografia projeta sobre ela um poder espúrio". Neomarxistas analisam o "fetichismo de produto", estudiosos feministas exploram o controvertido tema do "fetichismo feminino", e teóricos da arte realçam o papel subversivo do fetichismo na arte contemporânea, argumentando que um fetiche pode ser "qualquer artigo que choque nossas sensibilidade".
A interpretação cultural do fetichismo tem evoluído em conjunto com atitudes em relação à expressão sexual e ao "desvio" do mesmo modo que nosso entendimento dos estilos eróticos "perversos". Além disso, tem havido tanto mudanças quanto continuidades na escolha de estilos e tecidos fetichistas. A pornografia tem sido uma fonte primordial de informação sobre o apelo de objetos de fetiche. O discurso popular não-erótico sobre fetichismo também está florescendo.
Ao estudar o fetichismo, me encontrei suspenso entre vários discursos: O pós-moderno, o politizado, o psiquiátrico, o popular e o pornográfico. Os diferentes discursos freqüentemente se sobrepunham, é claro. Alguns trabalhos com aparência de sérios históricos de casos médicos ou relatos formalísticos mais pareciam pornografia. E parte da pornografia parecia material publicitário para uma revista de moda esquisita. Nada comparado a praticidade ou o que realmente se pode chamar de Fetichismo.
Publicado por Paulozab por volta de 10:52 PM
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